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quinta-feira, 11 de junho de 2015

O amor pelo Mercado

Por: Geovana Barcelos
Edição: Romário Júnior

Há cinco anos nos Mercado municipal de Campos, Rodrigo Souza ajuda o seu sogro na feira, sempre que lhe sobra um tempo e com isso, tira algum dinheiro extra que o ajuda bastante no final do mês. Sobre o processo de reforma para a revitalização do Mercado, Rodrigo revela ter medo de acabar perdendo essa renda extra que obtêm, devido à mal localização do que seria a localização provisória  do Mercado e fazendo do camelô um parâmetro, ele pensa que podem ser dias difíceis.


 "O camelô mudou de local e teve prejuízo, tenho medo que isso possa acontecer com o Mercado" afirmou o feirante. Além do medo de ficar no prejuízo, há também a apreensão que se modifique sua localização em caso de um possível retorno, "Tenho medo de quando voltar, ficar em um lugar escondido" finalizou Rodrigo.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

"Nós estamos enfrentando um recomeço'', afirma feirante.

Por Leandro Neves
Edição: Amanda Barreto


     Há 14 anos trabalhando em sua banca com artigos para presentes - como bolas, pelúcias  e bolsas - Jorge da Rocha Barcelos é mais um entre os muitos vendedores que sofrem com a baixa das vendas no atual camelódromo. Há 1 ano, o feirante está no atual ponto e revela que os produtos não são tão vendidos como no antigo local.



     ''As vendas estão paradas. Antes eu trabalhava no antigo ponto e já tinha os fregueses certos. Ao mudar, houveram dificuldades de localização. Estamos alcançando novos fregueses, mas a travessia da rua e a dificuldade em encontrar os nossos boxes, dificulta a vida dos compradores. Toda mudança enfrenta dificuldades, nós estamos enfrentando um recomeço'', afirmou o feirante.
     Seu Jorge, tira todo o seu sustento do mercado e conta que entrou para o ramo de vendas porque desde a infância, percebia que levava jeito para o comércio. 



domingo, 7 de junho de 2015

Se chorei ou se sorri, o importante é que no Mercado eu vivi!

Por: Aline Mendes
Edição: Yan Tavares

   Regina Freitas Benz tem 74 anos e toda uma história ligada ao Mercado Municipal de Campos. Mesmo não sendo feirante, ela vivenciou e é hoje parte da história dali. Afinal, morava ali em frente, na pensão de dona Dorinha - sua mãe, que na verdade se chamava Isabel -, então localizada na rua Barão de Amazonas, “A pensão alugava quartos e minha mãe, Isabel, fornecia marmita para pessoas de fora. Os dormitórios eram ocupados por meninos de Itaboraí, que vendiam laranjas na feira. Eu inclusive, gostava muito de ir à feira com minha minha mãe, adquiri o hábito de pegar a comida de minha casa e dar aos pobres - como chama os mendigos -, peguei apreço por eles. Depois, passei a ir até lá, para levar o jantar para um primo que vigiava o Mercado na parte da noite", conta de início, esta que ainda teria muita história pela frente.
   Ela relembra que sofreu com a enchente de 1966, quando em 15 de janeiro - dia de seu aniversário -, teve que se afastar, "A pensão começou a rachar paredões enormes, infelizmente não havia condições de ficar. Então, nos mudamos provisoriamente para a rua do Rosário. O Mercado também sofreu. Aliás, nesta época vi pessoas andarem de barquinho na Lapa - o cais ainda não tinha sido construído. Depois disso, voltamos e vivemos por mais dois anos lá, até que não houve mais condições", disse a filha de dona Dorinha.
   Após relatar uma triste passagem, dona Regina nos conta sobre uma pracinha, onde se divertia naquela época, "Onde hoje é o camelódromo, existia uma pracinha com alguns banquinhos de ferro, era o que tinha pra gente fazer, nada mais, e até gostávamos. Era onde íamos para namorar, conversar, se distrair, era o nosso lazer. Hoje carrego uma lembrança linda e muitas saudades de tanta história", declarou alguém que vive desde sempre a história deste patrimônio histórico e cultural da cidade, e também dirige-se a ele, como "o nosso Mercado".

                  Contribuições:Hélvio Cordeiro

Camelô com muito orgulho

Por: Jhonny Diorel
Edição: Yan Tavares

   Na vida nem sempre se consegue fazer aquilo que realmente gosta, muitos se quer conseguem descobrir os seus dons e por consequentemente, tão pouco lapidá-los. Já para outros o talento bate na porta, e cabe a estes captar a mensagem, aperfeiçoar e colocar em prática o que se tem de melhor, em prol do sustento de cada dia, com dignidade e determinação. 
   O camelô Balbino Moisés dos Santos, ali conhecido por Bino, diz amar o que faz há quase seis anos no camelódromo, "Nem os altos e baixos nas vendas, me fazem desanimar de minha função, que muito me orgulha nesta vida. Nem as dificuldades que muitas vezes passamos aqui, me farão desistir do que faço e com muito orgulho escolhi fazer. Daqui tiro o principal sustento de minha família", disse o permissionário.

Bino é hoje, casado e pai de um casal de filhos - já adolescentes e estudando em escola pública. Ele lamenta por não ter melhores condições financeiras para proporcionar uma melhor educação para os seus filhos, "Gostaria de poder fazer mais por eles, mas faço o que minhas condições permitem", reclamou.
Sobre o espaço provisório, o ambulante lamenta a perda de alguns clientes, "Penso que a clientela acabou perdendo a referência do local onde já estavam acostumados a comprar. Por outro lado, a conquista do novo é sempre bem vinda", declarou. Esperançoso com relação às reformas para o Mercado Municipal e o Camelô, ele revela o que espera para o futuro, "Acredito em dias melhores para os camelôs campistas, apesar de infelizmente dependermos para o nosso sustento, de gestores com má vontade para conosco, isto é lamentável", concluiu o Bino do camelô.

sábado, 6 de junho de 2015

"Tive que tirar meu filho do colégio particular", afirma camelô.

Por Romário Júnior
Edição: Amanda Barreto


    Se já não bastasse a crise financeira e o desemprego, a mudança do camelô está refletindo de forma negativa nas vendas e preocupando os comerciantes que dependem do sustento do camelódromo para sobreviver. 



   É o caso da senhora Tereza Cristiana, de 54 anos. Ela trabalha há 10 anos no Camelô e agora tem que lidar com os produtos encalhados nas prateleiras. "A situação está muito difícil, a mudança causou um desastre nas vendas. o movimento enfraqueceu e o jeito é ter criatividade para tentar vender algum acessório", constata Dona Tereza. 
   A queda das vendas foi tão grande que chegou a afetar a família de Tereza Cristina. "Por motivos de ordem financeira tive que tirar meu filho do colégio particular e pôr na escola pública. Tive que cortar alguns gastos necessários, porque as despesas já eram maiores que o meu salário", finalizou.



quarta-feira, 3 de junho de 2015

"Este é o segundo maior atentado à memória cultural de Campos", diz Renato Siqueira sobre projeto de reforma.

Por Yan Tavares
Edição: Amanda Barreto



   Dentre tantos projetos referentes à reforma e revitalização do Mercado Municipal - variados tipos de proposta já foram apresentadas -  o destaque fica por conta da defesa da preservação do patrimônio histórico de Campos, debate que já vem ganhando força pelos menos desde 2003, ano da primeira proposta apresentada. "Este atual projeto é o segundo maior atentado à memória cultural  da cidade, perdendo apenas para a derrubada do Trianon no Boulevard Francisco de Paula Carneiro", enfatizou o arquiteto e urbanista, professor Renato Siqueira.



Foto: Divulgação



   Quanto aos projetos já propostos, Renato destaca dois projetos de revitalização do Mercado que em sua opinião, seriam os melhores para cada permissionário, "Para a feira livre,  penso que o melhor projeto, seria o proposto em 2003, pelo arquiteto Sérgio Dias, na rua José Alves de Azevedo, próximo às mediações da avenida Princesa Isabel. Seria algo amplo, com estacionamento, espaço para embarque e desembarque de ônibus, enfim, toda uma infraestrutura necessária para proporcionar conforto e comodidade aos usuários. Já para os camelôs, vejo como ideal, a proposta feita em 2008, pela antiga  Secretaria de Planejamento, hoje extinta pelo atual governo. Neste, o camelódromo ficaria na Barão de Amazonas, entre as ruas Tenente Coronel Cardoso e Siqueira Campos, evitaria o sucateamento do Mercado, e daria espaço e comodidade aos vendedores."        Sobre as questões que envolvem o Mercado Municipal como patrimônio, o professor volta a se declarar totalmente contrário à atual proposta da Prefeitura, aprovada pelo de Preservação do Patrimônio  Arquitetônico Municipal (Coppan), "A ideia deve ser dentro das condições que o prédio histórico comporta, adequado  às condições de trabalho e preservação do patrimônio, ao contrário do que se está propondo, algo que apresenta ainda agravantes em condições de trabalho e de ambiência."
    Vale lembrar que o Mercado de Campos possui dois processos de tombamento. O primeiro, no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ainda em início de tramitação, já o outro processo, se dá no Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Cultural (Inepac), este já na Casa Civil, prestes a ser encaminhado ao gabinete do governador. O Coppan já realizou o tombamento do Mercado, mas hoje assumiu um papel omissivo, traduzido pelo próprio Renato Siqueira, "O Coppan não cumpriu com sua função institucional, que era o de preservar o patrimônio público da nossa cidade", concluiu Renato.


sábado, 30 de maio de 2015

Figura Ilustre: Michel Haddad!

Por: Aline Mendes
Edição: Romário Júnior

Em Campos dos Goytacazes, habitava uma das figuras mais ilustres da nossa cidade, Michel Haddad, algumas pessoas conheceram, outras só ouviram falar que era um grande homem. Nasceu em Campos no dia 05 de julho de 1911. Michel era visto todos os dias, sentado na frente do antigo Café Monte Líbano, atual Largo da Imprensa, com um charuto na boca, bengala nas mãos e cercado das mercadorias que vendia.
                                              
(Arquivo Pessoal Jean Paul Haddad)
Chegou a ser dono de quatro lojas em Campos, mas, endividado, perdeu os estabelecimentos e foi para as ruas ganhar a vida como ambulante. É considerado o primeiro camelô de Campos e um dos precursores da profissão. Meses após sua morte, foi homenageado por Anthony Garotinho, prefeito da cidade na época, com a criação do Shopping Popular no dia 07/12/1991 que leva seu nome, Michel Haddad.
 
(Arquivo Pessoal Jean Paul Haddad)
Michel chegou a ser garoto propaganda fez comercial do banco Itaú em 1988; o Itaú cultural. Chamava-se Itaú cidades, quando foi inaugurada a agência da rua Santos Dummont em 1988. O Itaú colocava as personalidades da cidade pra fazer o comercial.

Nas tradicionais festas de Santo Amaro ele tinha barraca cativa na frente da igreja. “Se Michel não viesse, não tinha festa”. Dizia o padre. Naquela época TV era coisa escassa, muito menos existia internet, então a festa era o atrativo. ´´Certa vez chegou um camarada e disse seu Michel eu quero uma foto de São Pedro, ele não tinha, mas lembrou de uma foto na mala barbudo e cabelo branco olhos azuis piscina. Vendeu a foto como se fosse São Pedro e a pessoa acreditou. Conta Jean Paul Haddad neto do Michel.

(Arquivo Pessoal Jean Paul Haddad)

Outra história desse grande vendedor campista, conta que certo dia sem moldura pra por fotos de santinhos, ele comprou esterco e disse para os seus familiares; “Quer ver como se vende qualquer coisa bem montada?” E apostaram com ele, Michel pegou esterco seco, acrescentou perfume deixou e depois colocou a foto do santo, fez molduras, e conseguiu vender tudo! Não sobrou um, perderam a aposta.

Seu neto, fala com orgulho apesar do pouco contato, conhece bem suas histórias. “Falar sobre meu avô é fácil, apesar de conviver apenas 4 anos com ele, as histórias dele percorrem Campos. Era muito comum meu avô receber as personalidades politicas em Campos, mas ele não ia até elas, elas iam até ele. Veio em Campos e não falou com Michel, não veio a Campos. Digo isso de governadores e tudo mais, um deles foi o Moreira Franco.” Afirma Jean Paul Haddad. Jean está escrevendo um livro, e nele irá contar mais histórias sobre o avô.




"Não acredito que as obras do camelô serão concluídas", afirma camelô.

Por Romário Júnior 
Edição: Amanda Barreto

 Nem os preços baixos e a variedade de produtos são suficientes para atrair os consumidores para o centro de comércio informal, popularmente conhecido como camelódromo em Campos do Goytacazes. Há 1 ano e 3 meses após a mudança do local de comércio, várias promessas foram feitas para melhorar a estrutura e a divulgação do local. O problema é que até hoje, nada foi cumprido e a situação só tende a piorar. 


 Trabalhando há 5 anos no camelô, Wellington da Silva, de 34 anos reivindica os problemas que está enfrentando no camelô. "Estou trabalhando aqui porque preciso, mas não posso mentir e falar que a mudança me trouxe algum benefício, só fez piorar. Não sabemos o que vai acontecer com todos nós daqui pra frente."



 O permissionário diz que com a mudança de local as compras despencaram e deram lugar aos prejuízos; "As vendas caíram mais de 50%, ainda tenho sorte de ter meu ponto de venda no começo da passem de pessoas no camelô, assim ainda consigo me sustentar, se meu ponto de comércio estivessem lá atrás, já estaria fechado e buscado outro emprego. Não acredito que as obras de reforma do camelô serão concluídas." Finalizou. 


sexta-feira, 29 de maio de 2015

"Até a Globo compra os meus produtos", afirma vendedor.

Por Leandro Neves
Edição: Amanda Barreto


     Há 27 anos, Hermes Valentim Filho - de 72 anos de idade - atuava como ambulante, com a venda de notas, moedas e selos. Mas há um ano, ele deixou de ser um vendedor de rua ao garantir um ponto no atual Mercado Municipal. Hoje, o feirante tem um espaço chamado "Mundo das Moedas".


     Perguntado sobre as vendas, se houve ou não uma queda, Hermes afirma: "Aqui eu estou me adaptando, pois eu nunca tive uma barraca. Eu era vendedor de rua, e vendia bastante, mas temos que obedecer as regras, agir conforme a lei."





     Hermes fala um pouco sobre como começou o seu interesse pela venda de moedas, notas e selos: "Meu pai era ferroviário e trabalhava na Leopoldina; lá ele achava moedas antigas e guardava. Um dia, ainda aos meus 11 anos, meu colega viu uma delas em minhas mãos e disse que eu poderia ganhar dinheiro com isso; foi então que eu comecei a comercializar esses objetos antigos."


   Segundo seu Hermes, não só colecionadores se interessam por seu produto, mas também, museus e até canais de TV, como a Rede Globo.


quinta-feira, 28 de maio de 2015

A criatividade é o sucesso garantido

Por: Romário Júnior
Edição: Yan Tavares 

   Diz o ditado que "a propaganda é a alma do negócio", e a expressão vale para diversas situações. Inclusive para quem trabalha no camelô, anunciar o produto de maneira criativa pode gerar boas vendas. Em Campos dos Goytacazes, o antigo costume ainda é mantido, mas com adaptações bem humoradas. 


   Trabalhando há 20 anos no camelô de Campos, Paulo Pereira, 50 anos, mais conhecido por sua clientela como Paulinho, conta detalhes sobre a sua vida de comerciante, "Aqui eu vendo carteiras, relógios, celulares, controles remotos, fones de ouvido, lanternas, acessórios, produtos dos mais diversos. Material legal que atrai clientes, que vem para comprar e até revender em outros lugares. Sempre tento puxar assunto com o cliente, incentivar a pessoa falar o máximo possível, virando um amigo fiel  dos clientes. Certamente dias depois, eles já identificaram meu ponto de venda e vem aqui me encontrar para comprar meus produtos" relata o comerciante.


   Paulinho ainda ressalta que todo trabalho tem que se fazer com dedicação,"Eu amo o que faço, transmito humanidade, carinho, atenção e simpatia. Sou um homem realizado, graças a Deus. O camelô representa tudo em minha vida." concluiu Paulo. 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Insegurança para feirantes e camelôs

Por: Jhonny Diorel
Edição: Yan Tavares

   O Mercado Municipal, assim como qualquer outro lugar, não está livre de assaltos, da onda de violência, seja ela física, moral ou psicológica. Diante disto, aumenta-se também a vulnerabilidade social, por conta da quase total falta de segurança. 
   Os permissionários por exemplo, tem sofrido nos últimos  meses com frequentes assaltos, passando de pequenos furtos, à assaltos à mão armada. Nos últimos cinco meses, três camelôs tiveram seus material de trabalho roubado, quando chegavam aos seus postos de trabalho pela manhã.
   Casos semelhantes, também aconteceram com dois feirantes, que tiveram suas mercadorias roubadas nos horários de maior vulnerabilidade no local, entre 4h e 6h e principalmente entre 18 e 19 horas, quando acontece o fechamento das vendas e levantamento dos lucros por parte dos comerciantes do local.
   Segundo informações do 8º Batalhão de Polícia Militar(BPM), os últimos registros envolvendo mercado ou camelô, se trataram de brigas paralelas, entre os camelôs ou mesmo os próprios feirantes, e também nos bares e botecos - entre seus frequentadores -, todos considerados, conflitos de ordem interna. 

 
     Foto arquivo 8º BPM momentoverdadeiro.com


   Ainda segundo informações do 8º BPM, o último caso registrado foi uma manifestação envolvendo camelôs, feirantes e alguns populares.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Esse é um assunto velado, essa é uma arma de guerra.

Por Amanda Barreto
Edição: Romário Júnior 

     
     Dentre tantos questionamentos, um dos assuntos mais velados entre os camelôs é o que eles chamam de “Arrastão da Postura”. Esse procedimento da Secretaria de Postura, que busca manter a ordem e a livre passagem pelos corredores do Shopping Popular Michel Haddad, é arma de uma verdadeira guerra entre os camelôs.
     Dizendo estar alheia - apenas observando a disputa entre os permissionários “rivais” - minha entrevistada foi relutante, e somente após eu ter deixado a câmera de lado e prometido usar um efeito para modificar a sua voz, ela me concedeu algumas poucas palavras: “Eles já vêm na certa, já vêm sabendo de quem irão tirar". 
     Segundo essa proprietária de uma modesta banca no corredor central, o arrastão é uma espécie de intriga entre quem vende mais e quem se sente prejudicado por estar em um ponto desprivilegiado da nova organização. Uma briga entre corredor e ponta; “É alguém que se acha injustiçado que denuncia, alguém aqui de dentro mesmo. Acontece porque a mercadoria está do lado de fora da banca, mas não tem espaço dentro da banca pra expor a mercadoria, então as pessoas têm que colocar do lado de fora. Eles (a Secretaria de Postura) vêm e pegam a mercadoria dos colegas.”
     A fiscalização da Postura apreende tudo que está fora do limite de cada um, mas quando questionada sobre a suficiência do limite, minha entrevistada é ferrenha; “Queria que Dona Rosinha sentasse aqui por meia hora."







Nem uma moedinha de um real

Por: Romário Júnior
Edição: Yan Tavares

   Há mais de 45 anos no camelô, Eliete da Silva tem 65 anos e é mãe de 3 filhos. Ela faz duras críticas às obrigações que foram prometidas após a mudança do Shopping Popular. "Não dá mais para confiar nas promessas que foram ditas a nós, porquê até hoje não foram realizadas. Precisamos de uma certeza, porque nesse local não há estrutura para trabalhar. Aqui nós não conseguimos vender 10% do que vendíamos há 1 ano e 3 meses" disse a camelô. 


   Eliete ainda se mostra bastante pessimista em relação a alguma melhoria no camelódromo, "Não me iludo esperando que algo melhore aqui dentro. Ainda bem que sou aposentada, porque não teria como sustentar minha família só com o dinheiro das vendas daqui. Tem dias que não consigo arrecadar nem R$1, o movimento é muito fraco" lamentou a permissionária.

"Para quem veio da rua foi bom" afirma camelô.

Por: Geovana Barcelos
Edição: Yan Tavares

   Há mais de vinte anos trabalhando como camelô, Luciana Louleiro afirma que para ela que trabalhava na rua, a transição provisória foi boa por um lado por conta da estrutura, e ruim por outro devido à queda nos lucros. "O movimento diminuiu bastante, no meu antigo local eu podia fazer prestações contando com o dinheiro, hoje não posso mais" relatou Luciana.
 


   A principal de suas reclamações é a falta de divulgação - prometida aos camelôs assim que se mudaram para o local provisório -, "Se houvesse divulgação o movimento seria outro", concluiu a permissionária.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

''O pessoal do camelô está passando fome'', afirma feirante.

Por Leandro Neves
Edição: Amanda Barreto


     Há 13 anos no Mercado Municipal, Talvan Silva trabalha na venda de frutas como bananas, abacaxis e maçãs. O feirante diz que está feliz no local onde trabalha, mas não nega a necessidade de mudanças. Ele afirma que o ponto precisa de uma pintura e destaca a falta de higiene do local, admitindo que isso acaba atrapalhando nas vendas.
     Perguntado sobre uma possível reforma do Mercado, o feirante diz que é a favor, mas é contra a saída do local para o ponto provisório. Talvan teme enfrentar o que os camelôs estão enfrentando, “O pessoal do camelô está passando fome”, afirma o vendedor.