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domingo, 7 de junho de 2015

Se chorei ou se sorri, o importante é que no Mercado eu vivi!

Por: Aline Mendes
Edição: Yan Tavares

   Regina Freitas Benz tem 74 anos e toda uma história ligada ao Mercado Municipal de Campos. Mesmo não sendo feirante, ela vivenciou e é hoje parte da história dali. Afinal, morava ali em frente, na pensão de dona Dorinha - sua mãe, que na verdade se chamava Isabel -, então localizada na rua Barão de Amazonas, “A pensão alugava quartos e minha mãe, Isabel, fornecia marmita para pessoas de fora. Os dormitórios eram ocupados por meninos de Itaboraí, que vendiam laranjas na feira. Eu inclusive, gostava muito de ir à feira com minha minha mãe, adquiri o hábito de pegar a comida de minha casa e dar aos pobres - como chama os mendigos -, peguei apreço por eles. Depois, passei a ir até lá, para levar o jantar para um primo que vigiava o Mercado na parte da noite", conta de início, esta que ainda teria muita história pela frente.
   Ela relembra que sofreu com a enchente de 1966, quando em 15 de janeiro - dia de seu aniversário -, teve que se afastar, "A pensão começou a rachar paredões enormes, infelizmente não havia condições de ficar. Então, nos mudamos provisoriamente para a rua do Rosário. O Mercado também sofreu. Aliás, nesta época vi pessoas andarem de barquinho na Lapa - o cais ainda não tinha sido construído. Depois disso, voltamos e vivemos por mais dois anos lá, até que não houve mais condições", disse a filha de dona Dorinha.
   Após relatar uma triste passagem, dona Regina nos conta sobre uma pracinha, onde se divertia naquela época, "Onde hoje é o camelódromo, existia uma pracinha com alguns banquinhos de ferro, era o que tinha pra gente fazer, nada mais, e até gostávamos. Era onde íamos para namorar, conversar, se distrair, era o nosso lazer. Hoje carrego uma lembrança linda e muitas saudades de tanta história", declarou alguém que vive desde sempre a história deste patrimônio histórico e cultural da cidade, e também dirige-se a ele, como "o nosso Mercado".

                  Contribuições:Hélvio Cordeiro

sábado, 6 de junho de 2015

Vem pro mercado você também, vem!


Por: Aline Mendes
Edição: Romário Júnior 

Mercado Municipal sempre foi sinônimo de preço baixo. E nos dias de hoje, aquela pechincha faz toda a diferença no fim do mês. Os grandes supermercados investem em propagandas e acabam conseguindo atrair os consumidores.
 Mas quando vamos comparar os preços, percebemos que o valor da propaganda quem paga é o consumidor no final. Nas grandes redes de supermercados da cidade, o preço do tomate em média custa R$ 4,89, já nas bancas do mercado encontramos o mesmo produto com o preço médio em torno de R$ 2,60.


 Muitas vezes o cliente não pesquisa o preço e acaba deixando de economizar, mas quando faz a comparação, consegue entender que vale a pena gastar a sola do sapato.
 No mercado municipal as frutas e verduras quase sempre são mais baratas, e os bons vendedores do mercado ainda fazem um desconto no final da compra. "15 reais e 30 centavos. 15 paga". Já ouviu isso né?
 Enquanto nos supermercados, o cliente tem que pagar os centavos, já que quem atende é um funcionário, diferente do mercado, onde você quase sempre negocia direto com o dono da banca.
Marquinho cabeludo 


Fiz um comparativo de preços e deixo aqui.

Mercado              | Rede de Supermercados

Tomate    R$ 2,60 kg | R$ 4,89 kg
Alho         R$ 1,39 | R$ 1,69  (100g)
Laranja    R$ 2,50 dz| R$ 1,99 kg
Abóbora   R$ 2,80 kg |R$ 2,29 kg
Banana    R$ 2,50 dz  | R$ 1,59 kg
Cebola     R$ 4,80 kg | R$ 5,99 kg

E vemos o tanto de economia por podemos levar muito pagando pouco, pois a diferença do Mercado é que alguns produtos é a dúzia já nos supermercados é a kilo.


domingo, 31 de maio de 2015

De feirante à freguês

Por: Aline Mendes
Edição: Yan Tavares
 
   Por quase quatro décadas José Inácio Ferreira 80 anos foi feirante. Vendia frutas, sendo algumas inclusive, de sua própria chácara, onde mora - em Travessão de Campos. A outra parte das frutas, vinham da Bahia e de Santa Luzia-ES. O Zé mineiro de Governador Valadares veio para Campos com 25 anos e trabalhou na Usina São José como cortador de cana. Na época, com dois filhos pra criar, precisava de uma renda melhor, até que conseguiu fazer uma inscrição para trabalhar no Mercado Municipal e logo em seguida adquiriu um ponto. Como não existia hortifrúti, as pessoas tinham que recorrer até o mercado. Com o passar do tempo, passou a ter muitos clientes, em sua barraca, onde também vendia coco rolado na hora, e pimenta moída.
   “Tínhamos alguns problemas com a fiscalização para com as mercadorias, até que conseguimos alvará para fixá-las no local. No início, tínhamos que levar embora todo fim de expediente. Eu inclusive, pagava alguns meninos para levar os produtos, depois trazê-los de volta, em uma carroça, chegando onde morava, eu pagava para guardar em um deposito. E assim fazíamos de domingo a domingo. Quem não tinha dinheiro para pagar fazer assim, era obrigado a vender barato, depois de pagar mais caro, se não perderia tudo. Os lucros eram bons, antes tudo era a preço de banana, comíamos dentro do mercado mesmo - antes era caro um prato de comida a R$ 10 - assim podia, sustentar casa, filhos e algumas namoradas na rua", brinca seu Zé.
 
   Ele conta ainda que acordava às 4h,para colher as frutas,  saia às 5h30min de sua casa e trabalhava na feira das 6h às 17h. "Na viagem, eu ainda dava umas frutinhas ao motorista, como um agrado." Ele possuía vara de porcos e fornecia para alguns colegas mercado. Ainda sobre a sua rotina, ele nos conta como era aos domingos, "Os domingos eram dia de toque de recolher, às 14h éramos obrigados a fechar para lavar, se o movimento fosse bom e passasse do horário, nós éramos multados. Hoje muita coisa mudou, as bancadas que agora são de cimento, antes eram cavaletes, tabuleiros e caixotes. O mercado antes era na lama, tinha que comprar esteira e papelão pra forrar no chão, diria que era quase que um brejo, hoje fizeram valão, jardim e galeria. Os ônibus passavam sempre onde era o camelô, depois mudou à rodoviária”, conclui o relato, o ex-feirante.
 
   Hoje o seu Zé - que declara ter sido um feirante de bom relacionamento em toda a feira, apesar de ser até hoje lembrado, como o “Zé Mineiro” deu um tiro no telhado do mercado -, já não trabalha mais no mercado, mas vai toda semana fazer sua feirinha e reencontrar os amigos de longas datas e bater um papo. Amigos esses, que o declaram como verdadeiro patrimônio histórico, devido às suas tantas histórias, em um lugar que conhece por completo. Por onde passa, é cumprimentado por todos que o conhecem. Para ele, não existe lugar melhor, "Sempre venho aqui, é parada obrigatória", declarou. Em sua volta para casa, cheio de alegria com suas compras, faz cerca de 40min de ônibus - da feira à travessão. Diante de tamanha história, este personagem, faz por merecer a cobertura de um dia com este:

 
Fazendo feira


Feliz com suas comprinhas


Com os amigos
Esperando ônibus na rodoviária 

Chegando à casa

sábado, 30 de maio de 2015

Figura Ilustre: Michel Haddad!

Por: Aline Mendes
Edição: Romário Júnior

Em Campos dos Goytacazes, habitava uma das figuras mais ilustres da nossa cidade, Michel Haddad, algumas pessoas conheceram, outras só ouviram falar que era um grande homem. Nasceu em Campos no dia 05 de julho de 1911. Michel era visto todos os dias, sentado na frente do antigo Café Monte Líbano, atual Largo da Imprensa, com um charuto na boca, bengala nas mãos e cercado das mercadorias que vendia.
                                              
(Arquivo Pessoal Jean Paul Haddad)
Chegou a ser dono de quatro lojas em Campos, mas, endividado, perdeu os estabelecimentos e foi para as ruas ganhar a vida como ambulante. É considerado o primeiro camelô de Campos e um dos precursores da profissão. Meses após sua morte, foi homenageado por Anthony Garotinho, prefeito da cidade na época, com a criação do Shopping Popular no dia 07/12/1991 que leva seu nome, Michel Haddad.
 
(Arquivo Pessoal Jean Paul Haddad)
Michel chegou a ser garoto propaganda fez comercial do banco Itaú em 1988; o Itaú cultural. Chamava-se Itaú cidades, quando foi inaugurada a agência da rua Santos Dummont em 1988. O Itaú colocava as personalidades da cidade pra fazer o comercial.

Nas tradicionais festas de Santo Amaro ele tinha barraca cativa na frente da igreja. “Se Michel não viesse, não tinha festa”. Dizia o padre. Naquela época TV era coisa escassa, muito menos existia internet, então a festa era o atrativo. ´´Certa vez chegou um camarada e disse seu Michel eu quero uma foto de São Pedro, ele não tinha, mas lembrou de uma foto na mala barbudo e cabelo branco olhos azuis piscina. Vendeu a foto como se fosse São Pedro e a pessoa acreditou. Conta Jean Paul Haddad neto do Michel.

(Arquivo Pessoal Jean Paul Haddad)

Outra história desse grande vendedor campista, conta que certo dia sem moldura pra por fotos de santinhos, ele comprou esterco e disse para os seus familiares; “Quer ver como se vende qualquer coisa bem montada?” E apostaram com ele, Michel pegou esterco seco, acrescentou perfume deixou e depois colocou a foto do santo, fez molduras, e conseguiu vender tudo! Não sobrou um, perderam a aposta.

Seu neto, fala com orgulho apesar do pouco contato, conhece bem suas histórias. “Falar sobre meu avô é fácil, apesar de conviver apenas 4 anos com ele, as histórias dele percorrem Campos. Era muito comum meu avô receber as personalidades politicas em Campos, mas ele não ia até elas, elas iam até ele. Veio em Campos e não falou com Michel, não veio a Campos. Digo isso de governadores e tudo mais, um deles foi o Moreira Franco.” Afirma Jean Paul Haddad. Jean está escrevendo um livro, e nele irá contar mais histórias sobre o avô.




domingo, 24 de maio de 2015

O Quarto Mercado

Por: Aline Mendes
Edição: Yan Tavares

   Em 1980 houve uma assustadora massa de desemprego, quando os shoppings populares foram criados às pressas visando empregos rápidos, muitas pessoas foram para atividade econômica desregulada sem controle do Estado e sem pagamentos de impostos.

   Assim, surgiram no Brasil, vários shoppings que mais tarde foram adaptados e humanizados, ganhando segurança, iluminação, banheiros mais higiênicos e amplos, além de áreas de estacionamento, alimentação e até para armazenamento de mercadorias, assim como horários especiais de funcionamento.

   “O nosso Shopping Popular não foi diferente. A sua localização emergencial, deu nova vida ao comércio da Rua Barão de Amazonas, tradicionalmente voltado para um público de moradores de outras áreas do município, devido à proximidade com a Rodoviária. Hoje graças a estabilização econômica da nossa moeda, muitos desses comerciantes se encontram em excelente situação financeira, depois de tantas lutas, e isso é muito bom. Contudo, todos os que ali se encontram merecem uma área mais ampla, com melhores acomodações. Também nós usuários, merecemos uma área com melhores instalações. Então o que falta? Penso que o que falta é coragem. Coragem para enfrentamentos, pois é certo que as opiniões entre os permissionários é dividida, uns desejando melhorias mesmo em outra área e outros querendo apenas o imediatismo”, disse a historiadora Sylvia Paes.


Lagoa de Furtado Parque Alberto Sampaio (Arquivo Hélvio Cordeiro)
   
   Passamos por três transformações até chegar ao atual Mercado Municipal. O primeiro, segundo informações de Sylvia Paes, teria sido o Largo do Capim – hoje Boulevard Paulo Carneiro -, depois, veio o da antiga Praça Prudente de Moraes, mais conhecido como Chá-Chá-Chá. Mais tarde, tivemos o Largo do Mercado, área defronte a Faculdade de Direito de Campos e em seguida o atual Mercado, junto ao Canal Campos-Macaé.


Mercado do Largo do Rocio (Arquivo Hélvio Cordeiro)

   Ao seu lado, foi construída uma praça, tendo o seu nome dado em homenagem ao Padre Azeredo Coutinho, homem ilustrado - chegou a ser bispo de Olinda - que escreveu um tratado sobre a produção açucareira na região.


Mercado Municipal, Praça Azeredo Coutinho (Arquivo Hélvio Cordeiro)

   Um relógio francês inaugurado em 1921, podia ser visto ao alto de sua torre. Sua frente se abria para um vasto jardim, então chamado Jardim de Alá, que mais tarde veio a ser reformado, ganhando o nome de Alberto Sampaio, importante botânico campista.

Mercado Municipal (Arquivo Hélvio Cordeiro)
   No Estado do Rio de Janeiro há apenas esse exemplar como modelo de Mercado segundo moldes franceses.

                
Sylvia Paes (Arquivo Pessoal de Sylvia Paes)
   Por final, Sylvia levanta ainda algumas questões a serem pensadas, "Se outras cidades brasileiras podem e tem seus mercados preservados, porque não o nosso? Não somos merecedores? Uma cidade pequena tem que ser sempre considera menor e não merecedora de projetos ousados de restauro e uso de seu patrimônio?", questionou a historiadora.

              Contribuições: Sylvia Paes

sábado, 23 de maio de 2015

Vendilhões da Esperança Mercadores de Ilusões

Por:Aline Mendes
Edição:Romário Júnior


                                                             (Arquivo Pessoal Luiz Soares)


A Escola de Samba “União da Esperança”, fundada em 14 de agosto de 1958, vem desenvolvendo um trabalho de passar às gerações futuras um samba que faz escola há  57 anos.  A escola tem como símbolo a Águia altaneira. A Verde e Rosa de Custodópolis está desenvolvendo para o Campos Folia 2015 o enredo “Vendilhões da Esperança, mercadores de ilusões”, sob a direção de Ecivalter Germano Rosa atual presidente da executiva.

O Mercado é uma instituição que coloca os vendedores e compradores em contato direto, para promover a troca de bens econômicos por produtos, que se entregam imediatamente ou no futuro. O Mercado de Campos dos Goytacazes já teve várias localizações, e denominações. Em épocas remotas o pescado era encontrado nos pontos de venda  em locais conhecido como Bancas do Pescado, em  grande número na beira do rio Paraíba do Sul, enquanto que as mercadorias que não eram encontradas nos armazéns, era vendido na Quitanda Velha.

O carnavalesco Luiz Soares, fala dos preparativos para encantar o público. “E os Mercadores da União da Esperança, que somos nós, vendemos sonhos em verde e rosa tal qual o Mercador de Veneza de Shakespeare, mentolados com ilusões em forma de folia. Fiz o enredo, pois além de gostar de contar histórias reais na avenida, sou apaixonado pelos mercadores em especial os mercadores históricos das pranchas e o prédio centenário do mercado de campos. Para se contar a história na avenida tem que ter uma pesquisa histórica da mesma partimos para o texto histórico do enredo que é distribuído aos compositores que é escolhido por um grupo de jurados e velha guarda da escola”. Diz Luiz.


                Luiz Soares - Carnavalesco (Arquivo Pessoal Luiz Soares)

Está sendo preparada uma torre com o relógio francês com 10 metros de altura, com movimentos.  A ala Cabrunco Xing ling do camelô, Uma sátira ao camelódromo. O cabeça desfila como primeiro carrinho de churrasco dele com a família e amigos. Tradicional com sua pastelaria, dona Dora. Os destaques da escola de samba será Nelcimar Pires e Tilma Pires, o estilista representará os mercadores do oriente com o pavão encantado e a mãe será destaque no carro principal com uma corte de 10 negros ricamente vestido fazendo uma alusão a mão de obra construtora do prédio  do mercado. Os arabesques arte nouveau do mercado circundam o carro. A Águia mãe mercadora mede 30m de comprimento, com 12m de altura. 


Todo esse trabalho da escola União da esperança e demais agremiações carnavalescas de Campos pode ter que esperar um pouco mais para entrar na avenida. 
Devido à crise que passa o país, o carnaval fora de época de Campos poderá ser adiado.


                                          Colaboração: Hélvio Cordeiro

domingo, 17 de maio de 2015

Comerciante afirma ter maiores lucros no espaço provisório do Shopping Popular

Por: Aline Mendes
Edição: Yan Tavares

   Há quase quatro décadas Luís dos Santos Azevedo, 56 anos, pai de 5 filhos e 3 netos, trabalha vendendo seus artesanatos. Antes trabalhava no terminal do Centro e agora está no espaço provisório do shopping popular.

   
   “O meu movimento é muito melhor do que era lá, as pessoas precisam entender que a fase boa passou, todos estão com a ilusão de que será melhor se não mudar. Antes estavam espalhados e agora todos ficarão no mesmo lugar, isso dificultará bastante o movimento.” Orgulhoso de seu ofício, ele revela o segredo, "Quanto mais a gente produz, mais aperfeiçoado ficam os cordões, brincos e pulseiras de macramê como outros artesanatos. Minha vida se resume aqui, meu sustento tiro daqui. Sou a favor do tombamento, pois a reforma é necessária, as fiações estão a ponto de pegar fogo e quando chove, chove mais dentro do que fora do mercado.” Consciente, ele entende que o momento era outro quando foi dada a largada da mudança. “As pessoas tem que ter paciência e entender que o projeto foi discutido antes da crise em Campos e no Brasil, acredito que irá atrasar um pouco, vai prejudicar a todos em geral.” Com alguns anos de estrada e muita bagagem nas costas, conta sobre o que espera do futuro, “Em outros tempos era dividido assim, A.C (Antes de Cristo) e D.C (Depois de Cristo), hoje em dia é A.I (Antes da Internet) e D.I (Depois da Internet). A internet é o fim da humanidade, quando meus filhos eram pequenos, achava que o futuro seria lindo, mas vejo que não, hoje tudo é a internet o almoço em família existe mais primeiro tem que mandar aquela mensagem pro amigo.” Ele pensa que os brasileiros são acomodados  e relembra que há três anos havia falado sobre essa crise de hoje, “Quando a política ajuda com passagem a um real, casas e almoço, as pessoas podem não querer mais trabalhar, achando que o governo tem que sustentar  a família inteira. Ele brinca em contar a história do nosso país,  "O Brasil já começou errado desde quando foi descoberto, escolheram os piores navegantes e tudo de ruim que tinham e mandaram para cá." Muito ligado em política, sonha em gravar um clip com essa música de sua autoria vestido de mendigo.
             

sábado, 16 de maio de 2015

Rock no Mercado (Oh Yeah)

Por: Aline Mendes
Edição: Romário Júnior 

     Do fim dos anos 80 até o início dos anos 90, o Mercado Municipal foi o palco do Rock. Os apresentadores do programa de rádio Arrebentação, João Oliveira e Ricardo Salgado, promoviam o Rock no Mercado. "Nessa época o estilo era muito forte na cidade, a gente colocava para tocar as bandas que já faziam sucesso como: TB-6, 4° Raich, Reubs Pen, Aviadores do Brasil, Banda Safira e Blues Band Vidro. Dávamos oportunidade para as bandas de garagem se apresentarem para o público também. Antes, as bancas não eram de cimento e sim de madeira, a gente arrumava o espaço para colocar o palco para galera fazer o som. Transformávamos o mercado num grande pátio", comenta Ricardo. 
     Além de muita música, também havia espaço para a prática de esportes radicais. O desenhista, produtor de vídeo e apresentador do programa Campos Radicais da TV Diário, Romeu Lins, sempre foi um amante dos esportes, e nesse período também participava desse movimento. "Eu participava do programa falando da galera que se destacava nos esportes radicais na época. Era um movimento rock muito forte, algo que não vemos na cidade nos dias atuais, a gente conseguia mobilizar uma galera. Tínhamos apresentações de Bicicross, Skate e Patins. Todo mundo se divertia, nem parecia que estávamos em um mercado. Foi um período muito bom", afirma Romeu. 
     A realização desse evento apesar de gratificante não era nada fácil garante Ricardo, "Esses eventos aconteciam com apoios, era uma correria para conseguir patrocínios. A gente além de divulgar o evento no programa e com o patrocínio que conseguíamos, aumentávamos as chamadas em toda a programação da emissora pra atingir o maior público possível. Não era fácil, mas valia muito a pena", finaliza Ricardo. 


Foto: Ricardo Salgado e João Oliveira (Arquivo Pessoal Ricardo Salgado)

Contribuições: Luís Henrique Barreto







domingo, 10 de maio de 2015

"Todos voltarão", afirma presidente da Codenca

Por: Aline Mendes
Edição: Yan Tavares
   O Mercado Municipal de Campos, compreende o Prédio Histórico, a Feira Livre e o Shopping Popular Michel Haddad. Esse importante complexo econômico conta com 516 camelôs, todos já formalizados como Micro Empreendedores Individuais, o MEI no Shopping Popular, 178 permissionários de lojas do Mercado no Prédio Histórico, também formalizados e 460 permissionários que possuem concessão das bancas na Feira Livre. Os trabalhadores do Shopping Popular estão na sede provisória, localizada no Parque Alberto Sampaio, enquanto a nova sede fica pronta. 
   Já os feirantes do Mercado vivem a expectativa de duas mudanças, a primeira para uma sede provisória, e a segunda à volta pra o mercado revitalizado. 
 
  O presidente interino da Companhia de Desenvolvimento de Campos, (CODENCA) - responsável pelas concessões de espaço público do mercado -, professor Wainer Teixeira de Castro, diz que os camelôs retornarão ao seu lugar e não devem temer que a situação atual, se torne definitiva, "O Governo assumiu o compromisso que todos voltarão, porém, terão que cumprir três exigências básicas, que são pagar a taxa do MEI, serem adimplentes com a taxa de permissão de uso, e fazerem o curso de 40 horas, que será ministrado pela Codenca e pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo (SEDET), sobre Excelência em Atendimento e Serviços, e o programa Sei Vender, Sei Comprar, que será ministrado pelo SEBRAE", disse Wainer.

sábado, 9 de maio de 2015

O Mercado Municipal deveria mudar de lugar?

Por: Aline Mendes
Edição: Yan Tavares

   Os diferentes interesses quando o assunto é o Mercado Municipal de Campos dos Goytacazes, acabam dificultando um consenso sobre o que seria melhor para todos, ou ao menos para a grande maioria. Os permissionários pensam diferente das autoridades, que pensam diferente dos consumidores. O Superintendente Municipal de Cultura e presidente do Conselho de Preservação do Patrimônio Municipal (Coppam), Orávio de Campos Soares, acredita que o Mercado Municipal deveria mudar de lugar.

 
   Segundo ele, onde hoje está localizado o mercado, deveria se tornar um centro de cultura. "Como falo a diversas pessoas interessadas neste assunto, o lugar ideal para o mercado seria o centro de compras, um lugar fora do centro da cidade. O lugar onde está hoje, deveria ser um lugar bonito, um  centro de cultura com bibliotecas, centro de alimentação, de lazer, de cinema, entre outras coisas. Mas não tem jeito, os feirantes já  trabalham ali há 50, 60 anos."
   O trânsito nas imediações do Mercado fica complicado quando se tem caminhões fazendo descarga e muitos consumidores reclamam da dificuldade de estacionar. A mudança em definitivo, não provisória como acontecerá durante as obras, deveria ter sido feita antes, hoje a lei proibi fazer, agora já está lá e não há mais o que fazer", afirmou o declarado consumidor de toda a feira do Mercado Municipal da cidade. Ainda sobre essa questão de patrimônio histórico, o presidente do Coppam, dá sua última opinião, falando sobre a questão da restauração, "O que se discute hoje é a questão de reformar para que se possa salvar o patrimônio, e fazer com que o mercado paire dentro do cenário urbano da cidade, mas penso que, dentro do cenário em que hoje se encontra o mercado, não há mais possibilidades."
 Quanto à localização, o também professor de Jornalismo opina sobre a escolha, em 1921, da instalação onde se encontra até os dias atuais, o Mercado Municipal. "Ali estava exatamente a beira do canal Campos x Macaé, e além disso tinha uma lagoa chamada Lagoa do Furtado ou Lagoa do Osório, onde se podia descartar as sujeiras vindas de todo o espaço", concluiu Orávio.

domingo, 3 de maio de 2015

Ratos sem controle

Por: Aline Mendes 
Edição: Yan Tavares
   Nos últimos dias, alguns feirantes do Mercado Municipal, reclamaram da presença de roedores no local.
   Lúcia Marins, 59 anos, ajuda seu filho há seis meses  em sua banca de biscoitos - presente há uma década na feira -, e declara o que em sua opinião, poderia ser feito pelos próprios feirantes para evitar presença tão indesejada, "Cada um aqui deveria limpar seu canto para ajudar à limpeza geral, e assim diminuir a incidência de ratos, que às vezes  circulam entre nós." 

   É de responsabilidade do Centro de Controle de Zoonoses  (CCZ), combater a proliferação dos ratos. "Sempre fizemos esse controle, mas em virtude de um atraso em licitação, o veneno ainda não chegou. Mas assim que chegar, o problema será solucionado", garantiu o diretor do CCZ, César Sales. 


Foto: Portal Oficial PMCG

   A presença de roedores, além de atrapalhar às vendas, traz uma preocupação ainda maior, a leptospirose, doença causada pela urina de ratos. 

Contribuições: Luís Henrique Barreto

sábado, 2 de maio de 2015

Uma parada no tempo

Por: Aline Mendes
Edição: Yan Tavares

 Em espaços de tempo cada vez mais reduzidos, vemos diversas notícias sobre a situação desesperadora ou, no pior dos casos, a destruição de um bem de nosso patrimônio. Independente de onde esteja situado, por quem ou quando foi construído, o patrimônio precisa ser preservado para as gerações futuras. A degradação do patrimônio é resultado de anos de descaso, fatores naturais e depredações.

  Referência na história do município, a torre do Mercado Municipal, é uma das mais belas imagens do Centro de Campos, mas basta prestar um pouquinho de atenção para notar que o relógio instalado no ano de 1921  parou de funcionar há muito tempo. O prédio onde está localizado o relógio foi reformado duas vezes, mas poucos foram os investimentos feitos para tentar recuperar o equipamento. Atendendo ao pedido de um amigo que trabalhava no Mercado, o relojoeiro Edel Freitas (já falecido), foi responsável pela manutenção do relógio durante dez anos. Ele contava que o relógio foi fabricado na França e que foi a própria natureza que se encarregou de danificá-lo. “Infelizmente, um raio na torre danificou o relógio”, disse o relojoeiro à época.

Foto: Arquivo Helvio Cordeiro

Foto: Arquivo Helvio Cordeiro 
  De acordo com alguns engenheiros e pesquisadores, a torre e o relógio do Mercado fazem parte do patrimônio histórico e precisam ser inseridos nas obras de reforma e restauração.
Foto: Arquivo Helvio Cordeiro

Foto: Arquivo Helvio Cordeiro 


  O patrimônio cultural mostra o trabalho, a arte, o amor e o cuidado que as gerações passadas tiveram. Uma cidade vive na memória de seus habitantes, e quando se desfaz de seu passado, torna-se uma cidade perdida no tempo, sem memória, sem vida, e sem referência acaba comprometendo seu futuro.


Contribuições: Helvio Cordeiro, Cheyenne Moraes e Luis Henrique Barreto.