Mostrando postagens com marcador história. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador história. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Feirante sustenta família com a venda de milho

Por: Romário Júnior
Edição: Yan Tavares

   Há 30 anos trabalhando no Mercado Municipal de Campos com a venda de milhos, Nelson Morais ou "Nelson do milho" - como é conhecido pelos seus fregueses e consumidores, fala sobre sua vida dentro da feira e de como as coisas mudaram negativamente para ele, "O nosso trabalho aqui é muito exaustivo, e não temos valorização e estrutura para exercer nosso trabalho com dignidade. Acordo às 3h, e às 5h tenho que estar com tudo pronto, mas hoje infelizmente, as vendas caíram drasticamente. Em torno de anos atrás, eu vendia em uma semana aproximadamente cerca de 1200 milhos, hoje consigo vender metade, em um mês". 



   O senhor Nelson, se diz orgulhoso com a profissão e agradece aos milhos, por o que conquistou, "Foi com a venda do milho que comecei a ganhar algo na vida e sustento até hoje minha famílias, assim criei meus filhos e vou seguindo em frente", concluiu o feirante.

domingo, 7 de junho de 2015

Se chorei ou se sorri, o importante é que no Mercado eu vivi!

Por: Aline Mendes
Edição: Yan Tavares

   Regina Freitas Benz tem 74 anos e toda uma história ligada ao Mercado Municipal de Campos. Mesmo não sendo feirante, ela vivenciou e é hoje parte da história dali. Afinal, morava ali em frente, na pensão de dona Dorinha - sua mãe, que na verdade se chamava Isabel -, então localizada na rua Barão de Amazonas, “A pensão alugava quartos e minha mãe, Isabel, fornecia marmita para pessoas de fora. Os dormitórios eram ocupados por meninos de Itaboraí, que vendiam laranjas na feira. Eu inclusive, gostava muito de ir à feira com minha minha mãe, adquiri o hábito de pegar a comida de minha casa e dar aos pobres - como chama os mendigos -, peguei apreço por eles. Depois, passei a ir até lá, para levar o jantar para um primo que vigiava o Mercado na parte da noite", conta de início, esta que ainda teria muita história pela frente.
   Ela relembra que sofreu com a enchente de 1966, quando em 15 de janeiro - dia de seu aniversário -, teve que se afastar, "A pensão começou a rachar paredões enormes, infelizmente não havia condições de ficar. Então, nos mudamos provisoriamente para a rua do Rosário. O Mercado também sofreu. Aliás, nesta época vi pessoas andarem de barquinho na Lapa - o cais ainda não tinha sido construído. Depois disso, voltamos e vivemos por mais dois anos lá, até que não houve mais condições", disse a filha de dona Dorinha.
   Após relatar uma triste passagem, dona Regina nos conta sobre uma pracinha, onde se divertia naquela época, "Onde hoje é o camelódromo, existia uma pracinha com alguns banquinhos de ferro, era o que tinha pra gente fazer, nada mais, e até gostávamos. Era onde íamos para namorar, conversar, se distrair, era o nosso lazer. Hoje carrego uma lembrança linda e muitas saudades de tanta história", declarou alguém que vive desde sempre a história deste patrimônio histórico e cultural da cidade, e também dirige-se a ele, como "o nosso Mercado".

                  Contribuições:Hélvio Cordeiro

Camelô com muito orgulho

Por: Jhonny Diorel
Edição: Yan Tavares

   Na vida nem sempre se consegue fazer aquilo que realmente gosta, muitos se quer conseguem descobrir os seus dons e por consequentemente, tão pouco lapidá-los. Já para outros o talento bate na porta, e cabe a estes captar a mensagem, aperfeiçoar e colocar em prática o que se tem de melhor, em prol do sustento de cada dia, com dignidade e determinação. 
   O camelô Balbino Moisés dos Santos, ali conhecido por Bino, diz amar o que faz há quase seis anos no camelódromo, "Nem os altos e baixos nas vendas, me fazem desanimar de minha função, que muito me orgulha nesta vida. Nem as dificuldades que muitas vezes passamos aqui, me farão desistir do que faço e com muito orgulho escolhi fazer. Daqui tiro o principal sustento de minha família", disse o permissionário.

Bino é hoje, casado e pai de um casal de filhos - já adolescentes e estudando em escola pública. Ele lamenta por não ter melhores condições financeiras para proporcionar uma melhor educação para os seus filhos, "Gostaria de poder fazer mais por eles, mas faço o que minhas condições permitem", reclamou.
Sobre o espaço provisório, o ambulante lamenta a perda de alguns clientes, "Penso que a clientela acabou perdendo a referência do local onde já estavam acostumados a comprar. Por outro lado, a conquista do novo é sempre bem vinda", declarou. Esperançoso com relação às reformas para o Mercado Municipal e o Camelô, ele revela o que espera para o futuro, "Acredito em dias melhores para os camelôs campistas, apesar de infelizmente dependermos para o nosso sustento, de gestores com má vontade para conosco, isto é lamentável", concluiu o Bino do camelô.

domingo, 31 de maio de 2015

De feirante à freguês

Por: Aline Mendes
Edição: Yan Tavares
 
   Por quase quatro décadas José Inácio Ferreira 80 anos foi feirante. Vendia frutas, sendo algumas inclusive, de sua própria chácara, onde mora - em Travessão de Campos. A outra parte das frutas, vinham da Bahia e de Santa Luzia-ES. O Zé mineiro de Governador Valadares veio para Campos com 25 anos e trabalhou na Usina São José como cortador de cana. Na época, com dois filhos pra criar, precisava de uma renda melhor, até que conseguiu fazer uma inscrição para trabalhar no Mercado Municipal e logo em seguida adquiriu um ponto. Como não existia hortifrúti, as pessoas tinham que recorrer até o mercado. Com o passar do tempo, passou a ter muitos clientes, em sua barraca, onde também vendia coco rolado na hora, e pimenta moída.
   “Tínhamos alguns problemas com a fiscalização para com as mercadorias, até que conseguimos alvará para fixá-las no local. No início, tínhamos que levar embora todo fim de expediente. Eu inclusive, pagava alguns meninos para levar os produtos, depois trazê-los de volta, em uma carroça, chegando onde morava, eu pagava para guardar em um deposito. E assim fazíamos de domingo a domingo. Quem não tinha dinheiro para pagar fazer assim, era obrigado a vender barato, depois de pagar mais caro, se não perderia tudo. Os lucros eram bons, antes tudo era a preço de banana, comíamos dentro do mercado mesmo - antes era caro um prato de comida a R$ 10 - assim podia, sustentar casa, filhos e algumas namoradas na rua", brinca seu Zé.
 
   Ele conta ainda que acordava às 4h,para colher as frutas,  saia às 5h30min de sua casa e trabalhava na feira das 6h às 17h. "Na viagem, eu ainda dava umas frutinhas ao motorista, como um agrado." Ele possuía vara de porcos e fornecia para alguns colegas mercado. Ainda sobre a sua rotina, ele nos conta como era aos domingos, "Os domingos eram dia de toque de recolher, às 14h éramos obrigados a fechar para lavar, se o movimento fosse bom e passasse do horário, nós éramos multados. Hoje muita coisa mudou, as bancadas que agora são de cimento, antes eram cavaletes, tabuleiros e caixotes. O mercado antes era na lama, tinha que comprar esteira e papelão pra forrar no chão, diria que era quase que um brejo, hoje fizeram valão, jardim e galeria. Os ônibus passavam sempre onde era o camelô, depois mudou à rodoviária”, conclui o relato, o ex-feirante.
 
   Hoje o seu Zé - que declara ter sido um feirante de bom relacionamento em toda a feira, apesar de ser até hoje lembrado, como o “Zé Mineiro” deu um tiro no telhado do mercado -, já não trabalha mais no mercado, mas vai toda semana fazer sua feirinha e reencontrar os amigos de longas datas e bater um papo. Amigos esses, que o declaram como verdadeiro patrimônio histórico, devido às suas tantas histórias, em um lugar que conhece por completo. Por onde passa, é cumprimentado por todos que o conhecem. Para ele, não existe lugar melhor, "Sempre venho aqui, é parada obrigatória", declarou. Em sua volta para casa, cheio de alegria com suas compras, faz cerca de 40min de ônibus - da feira à travessão. Diante de tamanha história, este personagem, faz por merecer a cobertura de um dia com este:

 
Fazendo feira


Feliz com suas comprinhas


Com os amigos
Esperando ônibus na rodoviária 

Chegando à casa

sábado, 30 de maio de 2015

Figura Ilustre: Michel Haddad!

Por: Aline Mendes
Edição: Romário Júnior

Em Campos dos Goytacazes, habitava uma das figuras mais ilustres da nossa cidade, Michel Haddad, algumas pessoas conheceram, outras só ouviram falar que era um grande homem. Nasceu em Campos no dia 05 de julho de 1911. Michel era visto todos os dias, sentado na frente do antigo Café Monte Líbano, atual Largo da Imprensa, com um charuto na boca, bengala nas mãos e cercado das mercadorias que vendia.
                                              
(Arquivo Pessoal Jean Paul Haddad)
Chegou a ser dono de quatro lojas em Campos, mas, endividado, perdeu os estabelecimentos e foi para as ruas ganhar a vida como ambulante. É considerado o primeiro camelô de Campos e um dos precursores da profissão. Meses após sua morte, foi homenageado por Anthony Garotinho, prefeito da cidade na época, com a criação do Shopping Popular no dia 07/12/1991 que leva seu nome, Michel Haddad.
 
(Arquivo Pessoal Jean Paul Haddad)
Michel chegou a ser garoto propaganda fez comercial do banco Itaú em 1988; o Itaú cultural. Chamava-se Itaú cidades, quando foi inaugurada a agência da rua Santos Dummont em 1988. O Itaú colocava as personalidades da cidade pra fazer o comercial.

Nas tradicionais festas de Santo Amaro ele tinha barraca cativa na frente da igreja. “Se Michel não viesse, não tinha festa”. Dizia o padre. Naquela época TV era coisa escassa, muito menos existia internet, então a festa era o atrativo. ´´Certa vez chegou um camarada e disse seu Michel eu quero uma foto de São Pedro, ele não tinha, mas lembrou de uma foto na mala barbudo e cabelo branco olhos azuis piscina. Vendeu a foto como se fosse São Pedro e a pessoa acreditou. Conta Jean Paul Haddad neto do Michel.

(Arquivo Pessoal Jean Paul Haddad)

Outra história desse grande vendedor campista, conta que certo dia sem moldura pra por fotos de santinhos, ele comprou esterco e disse para os seus familiares; “Quer ver como se vende qualquer coisa bem montada?” E apostaram com ele, Michel pegou esterco seco, acrescentou perfume deixou e depois colocou a foto do santo, fez molduras, e conseguiu vender tudo! Não sobrou um, perderam a aposta.

Seu neto, fala com orgulho apesar do pouco contato, conhece bem suas histórias. “Falar sobre meu avô é fácil, apesar de conviver apenas 4 anos com ele, as histórias dele percorrem Campos. Era muito comum meu avô receber as personalidades politicas em Campos, mas ele não ia até elas, elas iam até ele. Veio em Campos e não falou com Michel, não veio a Campos. Digo isso de governadores e tudo mais, um deles foi o Moreira Franco.” Afirma Jean Paul Haddad. Jean está escrevendo um livro, e nele irá contar mais histórias sobre o avô.




quinta-feira, 28 de maio de 2015

A criatividade é o sucesso garantido

Por: Romário Júnior
Edição: Yan Tavares 

   Diz o ditado que "a propaganda é a alma do negócio", e a expressão vale para diversas situações. Inclusive para quem trabalha no camelô, anunciar o produto de maneira criativa pode gerar boas vendas. Em Campos dos Goytacazes, o antigo costume ainda é mantido, mas com adaptações bem humoradas. 


   Trabalhando há 20 anos no camelô de Campos, Paulo Pereira, 50 anos, mais conhecido por sua clientela como Paulinho, conta detalhes sobre a sua vida de comerciante, "Aqui eu vendo carteiras, relógios, celulares, controles remotos, fones de ouvido, lanternas, acessórios, produtos dos mais diversos. Material legal que atrai clientes, que vem para comprar e até revender em outros lugares. Sempre tento puxar assunto com o cliente, incentivar a pessoa falar o máximo possível, virando um amigo fiel  dos clientes. Certamente dias depois, eles já identificaram meu ponto de venda e vem aqui me encontrar para comprar meus produtos" relata o comerciante.


   Paulinho ainda ressalta que todo trabalho tem que se fazer com dedicação,"Eu amo o que faço, transmito humanidade, carinho, atenção e simpatia. Sou um homem realizado, graças a Deus. O camelô representa tudo em minha vida." concluiu Paulo. 

Mercadões Brasil afora: Recife

Por: Yan Tavares
Edição: Romário Júnior

   Para que então se finde por aqui esta série, que buscou até o dado momento retratar os Mercadões. Que com toda a sua história, hoje são representativos para importantes centros; como é o caso do Mercado de São José.
 
   Localizado em Recife, no bairro de São José, origem de seu nome, foi inaugurado em 1875 e é o mais antigo mercado público do Brasil. Após passar por reformas, em 1906 e em 1941, passou em 1989 pela última, devido a um incêndio que destruiu parte de si. Sendo reinaugurado em 1994, tendo atualmente 561 boxes, além de mais 24 destinados a peixes, 12 a crustáceos e 80 a carnes e frutas. além do destaque para a culinária nordestina, encontra-se lá também muito artesanato regional, além de ervas medicinais, entre outros artigos. Foi tombado patrimônio histórico junto ao IPHAN e permanece até os dias atuais como importante atração turística da capital. É mais um, tal como os outrora citados por aqui, hoje renovado já possui seu próprio site.



quarta-feira, 27 de maio de 2015

Plantou esperança, colheu alegria, ficou na lembrança.

Por Leandro Neves
Edição: Amanda Barreto

     
    Há 37 anos trabalhando no Mercado Municipal com a venda de hortaliças e verduras, Jorge Gertrudes ou "nó cego" - como é conhecido pelos feirantes e consumidores - conta um pouco sobre a sua vida e sobre os cuidados com produto com o qual trabalha.
     Em 1978, quando tinha 35 anos de idade, Jorge alugou um terreno e criou ali uma horta. O feirante era lavrador e produtor, além de vendedor ambulante. Sua renda não era boa, então ele começou a vender picolé e peixes para aumentar o ganho. Com o dinheiro arrecadado nas vendas, o comerciante começou a investir em outros terrenos para a criação de hortas, até chegar ao número de cinco lotes. Com um salário melhor, ainda em 1978, Jorge comprou um ponto no Mercado Municipal, onde está até hoje.




      Sua rotina estava ficando exaustiva. Enquanto tinha a sua própria horta, ele precisava acordar às 3h00 para colher as hortaliças e verduras, e em seguida, levá-las ao mercado. Hoje, o alimento revendido por ele, vem de Friburgo e de Teresópolis. Um caminhão trazendo as suas mercadorias, chega às 23h00, e às 4h00 termina todas as entregas. Jorge, atualmente, acorda às 5h00 e às 6h00 começa a arrumar seus produtos de venda. Para não estragar as verduras e hortaliças, o vendedor as armazena num isopor coberto de gelo, para que o alimento continue fresco e sem riscos de apodrecer. 
     Seu Jorge dedicou metade de sua vida ao mercado, viveu em períodos em que os feirantes trabalhavam com gosto e com alegria no rosto, pois a clientela era enorme; mas hoje, aos 72 anos, o vendedor afirma com um tom de tristeza: ''Não gosto mais do trabalho no Mercado. É um serviço muito preso e além disso, infelizmente, as vendas vem caindo bastante'', afirma. 

Mercadões Brasil afora: Minas Gerais

Por Yan Tavares
Edição: Amanda Barreto

  
     Da série que mostra exemplos - ou espelhos – de Mercados a serem, quem sabe, fonte de inspiração para um novo Mercado Municipal em Campos, o Mercado Central de Belo Horizonte talvez se assemelhe ao nosso mercado. Quando se fala em botecos, no mineiro, existe hoje um total de 14. Inaugurado em 1929, tem mais de 400 lojas, reunindo artigos religiosos, artesanatos mineiros, enorme variedade de ervas - que prometem curar de tudo, além de floriculturas, brinquedos, roupas e muito mais, e claro, a boa comida mineira acompanhada de cerveja gelada.
  

  
   Para complementar, como não poderia faltar em toda conversa de botequim, lá tem muita história a se ouvir, muitos "causos" mineiros.
  
   Em 1964, foi comprado por um grupo de comerciantes, passando por várias reformas e mudando seu nome de Mercado Municipal para Mercado Central, tornando-se hoje um dos lugares mais visitados da cidade mineira. Atualmente, como a maioria dos grandes mercadões, possui seu próprio site, podendo ser visitado em http://www.mercadocentral.com.br .



domingo, 24 de maio de 2015

O Quarto Mercado

Por: Aline Mendes
Edição: Yan Tavares

   Em 1980 houve uma assustadora massa de desemprego, quando os shoppings populares foram criados às pressas visando empregos rápidos, muitas pessoas foram para atividade econômica desregulada sem controle do Estado e sem pagamentos de impostos.

   Assim, surgiram no Brasil, vários shoppings que mais tarde foram adaptados e humanizados, ganhando segurança, iluminação, banheiros mais higiênicos e amplos, além de áreas de estacionamento, alimentação e até para armazenamento de mercadorias, assim como horários especiais de funcionamento.

   “O nosso Shopping Popular não foi diferente. A sua localização emergencial, deu nova vida ao comércio da Rua Barão de Amazonas, tradicionalmente voltado para um público de moradores de outras áreas do município, devido à proximidade com a Rodoviária. Hoje graças a estabilização econômica da nossa moeda, muitos desses comerciantes se encontram em excelente situação financeira, depois de tantas lutas, e isso é muito bom. Contudo, todos os que ali se encontram merecem uma área mais ampla, com melhores acomodações. Também nós usuários, merecemos uma área com melhores instalações. Então o que falta? Penso que o que falta é coragem. Coragem para enfrentamentos, pois é certo que as opiniões entre os permissionários é dividida, uns desejando melhorias mesmo em outra área e outros querendo apenas o imediatismo”, disse a historiadora Sylvia Paes.


Lagoa de Furtado Parque Alberto Sampaio (Arquivo Hélvio Cordeiro)
   
   Passamos por três transformações até chegar ao atual Mercado Municipal. O primeiro, segundo informações de Sylvia Paes, teria sido o Largo do Capim – hoje Boulevard Paulo Carneiro -, depois, veio o da antiga Praça Prudente de Moraes, mais conhecido como Chá-Chá-Chá. Mais tarde, tivemos o Largo do Mercado, área defronte a Faculdade de Direito de Campos e em seguida o atual Mercado, junto ao Canal Campos-Macaé.


Mercado do Largo do Rocio (Arquivo Hélvio Cordeiro)

   Ao seu lado, foi construída uma praça, tendo o seu nome dado em homenagem ao Padre Azeredo Coutinho, homem ilustrado - chegou a ser bispo de Olinda - que escreveu um tratado sobre a produção açucareira na região.


Mercado Municipal, Praça Azeredo Coutinho (Arquivo Hélvio Cordeiro)

   Um relógio francês inaugurado em 1921, podia ser visto ao alto de sua torre. Sua frente se abria para um vasto jardim, então chamado Jardim de Alá, que mais tarde veio a ser reformado, ganhando o nome de Alberto Sampaio, importante botânico campista.

Mercado Municipal (Arquivo Hélvio Cordeiro)
   No Estado do Rio de Janeiro há apenas esse exemplar como modelo de Mercado segundo moldes franceses.

                
Sylvia Paes (Arquivo Pessoal de Sylvia Paes)
   Por final, Sylvia levanta ainda algumas questões a serem pensadas, "Se outras cidades brasileiras podem e tem seus mercados preservados, porque não o nosso? Não somos merecedores? Uma cidade pequena tem que ser sempre considera menor e não merecedora de projetos ousados de restauro e uso de seu patrimônio?", questionou a historiadora.

              Contribuições: Sylvia Paes

Procura-se a voz do mercado

Por: Jhonny Diorel
Edição: Yan Tavares

   No Mercado Municipal de Campos encontramos verduras, legumes, frutas, carnes, vendedores, consumidores, enfim, gente que faz o mercado no dia a dia. Há toda uma engrenagem funcionando para que o trabalho seja desenvolvido como manda o figurino. Mecanismos de trabalho, como mão de obra, criatividade, ideias, pessoas, vozes... Aliás, vozes? Esta é a palavra, vozes do mercado, vendedores, consumidores e uma voz em questão: 

   Aquela voz que ecoa no mercado. Mas qual é, quem é, onde está? Procura-se a intrigante voz do mercado. Segundo informações de feirantes e frequentadores, um serviço de auto-falante volante que atende o mercado, onde está instalada, atendendo também aos comerciantes das proximidades, com o serviço som volante, divulgando os produtos que ali são vendidos.

   
   Esse sistema de som no local é chamado por todos ali, de de Rádio do Mercado. Porém, no local improvisado, até o momento, nenhum funcionário ou mesmo responsável pelo serviço ali presente, foi encontrado. Fato é que continua a saga em busca da (s) voz (es), ecoada no nosso mercado. Por enquanto, ficamos apenas com a ideia de uma voz desta rádio, e na expectativa de que a qualquer momento alguém entre ou saia por esta porta. 


segunda-feira, 18 de maio de 2015

"Aqui comigo é BBB: bom, bonito e barato"

Por: Jhonny Diorel
Edição: Yan Tavares

     Na correria do dia a dia, é preciso disposição para encarar os desafios que a vida nos reserva ao longo de sua trajetória. E na luta em busca do pão de cada dia, muitos são os trabalhadores - sejam lá formais ou informais -, que usam e abusam de toda criatividade possível para defender e garantir com dignidade o sustento de si e da família.
   Com os camelôs por exemplo, essa realidade é normal, ganha mais, quem vende mais e pelo menor preço. Para eles, o lema é garantir o sustento no peito, na raça, na criatividade, no talento, no grito, na manha. A partir daí, conta mais o desempenho de cada um.
    Há quatro anos no camelô de Campos, Alfredo Ramos Correia, o Alfredinho, é natural de Minas Gerais, e mora há 10 anos na cidade.


    
   Para Alfredinho, não basta só vender de tudo um pouco, é preciso ser bastante criativo para convencer o cliente a comprar o produto que se está vendendo.
   Ele costuma dizer em alto e bom som, "Aqui na minha mão, tem jogo, tem desconto e garanto, é bom, bonito e barato. É só chegar, conferir e comprovar que com certeza leva. E aí, vai levar o que hoje hein?"
   Ele confessa que não se imagina fazendo outra coisa senão a que faz há quase cinco anos no Shopping Popular, por se considerar uma pessoa bastante comunicativa.

sábado, 16 de maio de 2015

Rock no Mercado (Oh Yeah)

Por: Aline Mendes
Edição: Romário Júnior 

     Do fim dos anos 80 até o início dos anos 90, o Mercado Municipal foi o palco do Rock. Os apresentadores do programa de rádio Arrebentação, João Oliveira e Ricardo Salgado, promoviam o Rock no Mercado. "Nessa época o estilo era muito forte na cidade, a gente colocava para tocar as bandas que já faziam sucesso como: TB-6, 4° Raich, Reubs Pen, Aviadores do Brasil, Banda Safira e Blues Band Vidro. Dávamos oportunidade para as bandas de garagem se apresentarem para o público também. Antes, as bancas não eram de cimento e sim de madeira, a gente arrumava o espaço para colocar o palco para galera fazer o som. Transformávamos o mercado num grande pátio", comenta Ricardo. 
     Além de muita música, também havia espaço para a prática de esportes radicais. O desenhista, produtor de vídeo e apresentador do programa Campos Radicais da TV Diário, Romeu Lins, sempre foi um amante dos esportes, e nesse período também participava desse movimento. "Eu participava do programa falando da galera que se destacava nos esportes radicais na época. Era um movimento rock muito forte, algo que não vemos na cidade nos dias atuais, a gente conseguia mobilizar uma galera. Tínhamos apresentações de Bicicross, Skate e Patins. Todo mundo se divertia, nem parecia que estávamos em um mercado. Foi um período muito bom", afirma Romeu. 
     A realização desse evento apesar de gratificante não era nada fácil garante Ricardo, "Esses eventos aconteciam com apoios, era uma correria para conseguir patrocínios. A gente além de divulgar o evento no programa e com o patrocínio que conseguíamos, aumentávamos as chamadas em toda a programação da emissora pra atingir o maior público possível. Não era fácil, mas valia muito a pena", finaliza Ricardo. 


Foto: Ricardo Salgado e João Oliveira (Arquivo Pessoal Ricardo Salgado)

Contribuições: Luís Henrique Barreto







"Somos a última opção", diz feirante.

Por Romário Júnior
Edição: Amanda Barreto

     As pessoas que tem o costume de ir bem cedinho à feira e frequentam diariamente o Mercado, dificilmente pararam para pensar em algo muito interessante: se você chegou ao amanhecer para comprar o que deseja, imagina há quanto tempo os feirantes já estão acordados para te fornecer as verduras mais frescas?

     É o caso de Ademir Alves da Silva, que está na feira livre desde os 14 anos. Hoje, com 54 anos, ele acorda às 2 horas da manhã, chega ao Mercado uma hora depois, e já começa o batente: arma sua barraquinha, organiza a mercadoria e às 4 da manhã já está tudo pronto para vender as diversas variedades de frutas, verduras, hortaliças e lacticínios. Esse é a sua rotina diária, e dessa batalha que ele tira o sustento da família. 



     O senhor Ademir ainda ressalta que a vida de um feirante não está nada fácil, ele diz que é preciso muito esforço para conseguir sobreviver trabalhando dentro do mercado. "Hoje em dia, as vendas e o movimento caíram drasticamente; os feirantes, inclusive eu, trabalhamos para sobreviver. O movimento só melhora do dia 1 ao dia 15 de cada mês, porque as pessoas do interior, que recebem seus pagamentos, vêm ao mercado para fazer a feira. Não temos estrutura para concorrer com supermercados ou hortifrutis, somos a última opção de boa parte da população de Campos", lamentou.


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Mercadões Brasil afora: Salvador

Por: Yan Tavares
Edição: Geovana Barcelos

    Após passar por vários incêndios, o Mercado Modelo é hoje considerado, uma importante atração turística de Salvador. Atualmente, engloba em seu prédio de dois andares, cerca de 270 lojas, com produtos artesanais e para presente, além das tradicionais lembrancinhas da Bahia. Conta ainda com a tradicional culinária baiana, representada por conceituados restaurantes locais, ali instalados.

   
   Depois de sua inauguração, em 1912, sofreu pelo menos quatro relevantes incêndios, O primeiro, foi em 1917, mas não foi tão grave, quanto o de 1922, onde sob suspeita de que tenha sido proposital, o reduziu a subterrâneos e causou enorme prejuízo ao mercado - mais de mil contos de réis (moeda do país na época). 
 
   
   Reformado então, em 1943 ocorreu mais um incêndio, este destruiu parcialmente suas instalações, porém não teve suas causas identificadas, e o edifício foi recuperado. O mais grave de sua história, se deu em 1969 , e inviabilizou uma nova reconstrução, seus escombros necessitaram ser demolidos visando a segurança pública. Por fim, sua última e definitiva restauração, veio em 1984, sendo reinaugurado no mesmo ano.
   Após tantos incidentes, hoje "Mercado Modelo" é música, composta por  Antônio Carlos, Jocafi e Ildázio Tavares gravado em 1973, pela cantora Vanusa.



 https://pt.wikipedia.org/wiki/Mercado_Modelo#/media/File:Mercado_modelo1.jpg

Fotos: Site Wikipédia e site Mercado Modelo Bahia.
Vídeo: Youtube. 


quarta-feira, 13 de maio de 2015

Mercadões Brasil afora: São Paulo

Por: Yan Tavares
Edição: Geovana Barcelos

  Mais um exemplo a ser seguido pelo nosso mercado campista - como ponto de encontro para residentes e visitantes da cidade, além de patrimônio histórico -, é o Mercado Municipal de São Paulo.


   Foi construído entre os anos de 1928 e 1933 pelo escritório do arquiteto Francisco de Paulo Ramos de Azevedo, e hoje com 82 anos, tem em seu interior vitrais do artista russo Conrado Sorgenicht Filho, conhecido por seu trabalho em mais de 300 igrejas.

   O Mercadão, como é popularmente conhecido, sofreu uma reforma em 2004, teve sua fachada e seus vitrais restaurados, e tem agora um mezanino construído, tendo diversos quiosques de comes e bebes. Atualmente, o prédio conta com 272 estandes das mais variadas especialidades, e tornou-se ponto de encontro para os paulistanos, e visita obrigatória para os turistas que passam pela cidade. Um de seus destaques é o sanduíche de mortadela, sempre bem requisitado pelos visitantes.

http://www.hypeness.com.br/wp-content/uploads/2014/01/MORTADELA.jpg
 
   São variados os tipos dos sempre exagerados sanduíches, do mais tradicional, a versões com acréscimos de queijo, além de outras ainda mais recheadas, para que assim visitante nenhum saia sem experimentar o mais famoso lanche do mercado paulista.
 Fotos: Site Wikipédia e Blog Hypeness/Portal Terra.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

História de Mercado

Por: Jhonny Diorel
Edição: Yan Tavares

    Há 15 anos trabalhando no Mercado Municipal, Valdeci da Silva conta que começou na labuta ainda criança; já aos 13 anos acompanhava o pai na lavoura. Acordando sempre muito cedo, Valdeci também já trabalhou na Usina Santa Cruz, em Campos. Com pouco estudo, o feirante disse ter encontrado na feira o seu verdadeiro local de trabalho.
   Com tristeza, ele se lembra de já ter passado por melhores momentos de vendas no Mercado. A venda de bananas, por exemplo, diminuiu bastante, segundo ele.
   O feirante relata que já pensou em desistir do que faz, mas o amor pelo trabalho ainda fala mais alto.



   Para ele, a queda na venda da feira tem dificultado demais a vida de quem depende somente desta renda: "com a dúzia da banana saindo a três reais, muitas vezes a renda no final do dia chega a quarenta reais e outras, nem chega a esse valor. Espero que as vendas melhorem para mim e para todos que fazem e dependem deste lugar", disse.



sábado, 9 de maio de 2015

O Mercado Municipal deveria mudar de lugar?

Por: Aline Mendes
Edição: Yan Tavares

   Os diferentes interesses quando o assunto é o Mercado Municipal de Campos dos Goytacazes, acabam dificultando um consenso sobre o que seria melhor para todos, ou ao menos para a grande maioria. Os permissionários pensam diferente das autoridades, que pensam diferente dos consumidores. O Superintendente Municipal de Cultura e presidente do Conselho de Preservação do Patrimônio Municipal (Coppam), Orávio de Campos Soares, acredita que o Mercado Municipal deveria mudar de lugar.

 
   Segundo ele, onde hoje está localizado o mercado, deveria se tornar um centro de cultura. "Como falo a diversas pessoas interessadas neste assunto, o lugar ideal para o mercado seria o centro de compras, um lugar fora do centro da cidade. O lugar onde está hoje, deveria ser um lugar bonito, um  centro de cultura com bibliotecas, centro de alimentação, de lazer, de cinema, entre outras coisas. Mas não tem jeito, os feirantes já  trabalham ali há 50, 60 anos."
   O trânsito nas imediações do Mercado fica complicado quando se tem caminhões fazendo descarga e muitos consumidores reclamam da dificuldade de estacionar. A mudança em definitivo, não provisória como acontecerá durante as obras, deveria ter sido feita antes, hoje a lei proibi fazer, agora já está lá e não há mais o que fazer", afirmou o declarado consumidor de toda a feira do Mercado Municipal da cidade. Ainda sobre essa questão de patrimônio histórico, o presidente do Coppam, dá sua última opinião, falando sobre a questão da restauração, "O que se discute hoje é a questão de reformar para que se possa salvar o patrimônio, e fazer com que o mercado paire dentro do cenário urbano da cidade, mas penso que, dentro do cenário em que hoje se encontra o mercado, não há mais possibilidades."
 Quanto à localização, o também professor de Jornalismo opina sobre a escolha, em 1921, da instalação onde se encontra até os dias atuais, o Mercado Municipal. "Ali estava exatamente a beira do canal Campos x Macaé, e além disso tinha uma lagoa chamada Lagoa do Furtado ou Lagoa do Osório, onde se podia descartar as sujeiras vindas de todo o espaço", concluiu Orávio.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Os mercados mais conhecidos e visitados do Brasil

Por: Jhonny Diorel
Edição: Yan Tavares

 Entre os mercados municipais espalhados pelo Brasil, muitos são os segredos a serem revelados aos consumidores, viajantes e turistas.
 "De frutas frescas, às verduras e legumes, do doce ao salgado, de tudo um pouco ou quase tudo, se encontra nos mercados municipais nesse Brasil a fora", assim nos descreve Tatiana Omegna Maistrello, formada em turismo. Em sua opinião, São Paulo, Curitiba, Belém do Pará e Fortaleza, são onde estão os mercados municipais mais conhecidos e visitados. Ela cita como principais, os mercados de São Paulo e de Curitiba.

 
 Ponto de encontro de todo o tipo de gente, de fato um verdadeiro ponto turístico, assim é o famoso mercadão, como é carinhosamente chamado por muitos.

 Considerado, um dos mais bonitos, limpos e organizados do país, o Mercado Municipal de Curitiba, segundo Tatiana, segue a tradições e padrões que se enquadram à cidade em seu cotidiano ordeiro e organizado.

Colaboração: Tatiana Omegna Maistrello